Se educar é amar, além de um ato de justiça social, José de Anchieta encontrou no seu tempo um grande desafio. Partindo da construção de uma educação pública, viu nela um caminho necessário para a superação da exploração escravista dos povos indígenas.
José de Anchieta, um poeta feito educador.
Autores: André Luiz Moreira e Wands Salvador Pessin
Do Velho ao Novo Mundo, José de Anchieta fez um caminho sem voltas. Caiu do norte para o sul, graças à lei do amor, e acabou elevado à dignidade de educador.
No Novo Mundo, diante do que parecia antiquado, humildemente viu logo a novidade em saída. O que seria objeto de museu, numa memória métrica, transformou-se em bem viver no seu agora, naquela tão sua plenitude dos tempos.
Trazendo uma pedagogia, em cansaço, acabou tomado pela mão nos novos mundos que se abriram no encontro com tantos povos e suas culturas.
O cuidado vivido fez, já lá, brotar admiravelmente uma outra pedagogia: a arte da alternância!
Entre poemas e teatros, com a arte de grammtica da lingoa mais usada na costa do Brasil, José de Anchieta fez a experiência da natureza vivente que nos atravessa a alma e nos dá um corpo novo, uma terra nova, um novo mundo.
A arte da alternância, como uma cultura do encontro, nos permite ver novas todas as coisas a partir de dentro, fazendo-se assim a própria superação de qualquer escravidão. É justamente num movimento em equilíbrio reflexivo entre terras e céus, práticas e teorias, o campo e a cidade, que brota a dinâmica que nos permite a consciência e decisão de rejeitar qualquer forma de injustiça, nos movendo ao cultivo de raízes profundas para um mundo novo com iguais liberdades para todos, sem exceções.
Assim é a Educação, naquilo em que nada de maior pode ser pensado.
Sua lógica tem na pergunta, não na resposta dada, tanto as suas entradas como as suas saídas.
É a pedagogia anchietana, realmente, em sua arte da alternância.